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VIGIDESASTRES

Programa de Vigilância em Saúde Ambiental Relacionada a Populações Expostas aos Desastres Naturais e/ou Tecnológicos do Município de São Paulo

O Programa de Vigilância em Saúde Ambiental Relacionada a Populações Expostas aos Desastres Naturais e/ou Tecnológicos - Vigidesastres foi instituído no município de São Paulo pela Portaria SMS nº 680, de 20 de outubro de 2025; na esfera Federal, o Vigidesastres é regido pela Portaria GM/MS nº 4.185, de 01 de dezembro de 2022 substituída pela Portaria GM/MS Nº 12.137, de 17 de setembro de 2026, que o instituiu como a Rede Nacional de Vigilância em Saúde dos Riscos Associados aos Desastres. Seu eixo de atuação abrange um conjunto de ações de proteção à saúde relacionadas à mitigação dos impactos decorrentes de eventos que podem se caracterizar como desastres e que tangem a esfera da saúde pública.

Conheça mais sobre o Vigidesastres:

 

Ações realizadas pelo Vigidesastres

A prevenção ante desastres, a orientação a afetados pelos eventos, a manutenção da saúde plena da população e a mitigação de impactos das condições adversas provenientes de desastres são as principais metas do Vigidesastres. Para tal, a elaboração e implementação de fluxos de alerta e resposta, planos de contingência e medidas de análise e monitoramento são os mecanismos utilizados.

Classificação dos desastres e seus potenciais impactos sobre a saúde

A classificação de desastres utilizada pela Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil do Governo Federal do Brasil é organizada pela Classificação e Codificação Brasileira de Desastres (COBRADE), dividindo os eventos em dois grandes grupos: desastres naturais, aqueles ligados a processos e fenômenos da natureza, e desastres tecnológicos, relacionados a processos e ações desencadeados por seres humanos. Dentro destes grupos, estão alocados eventos como deslizamentos de terra, inundações, enxurradas, ondas de calor, incêndios urbanos e emergências químicas.

Com a classificação bem definida, é possível identificar quais são os impactos diretos e indiretos sobre a saúde e o bem estar da população potencialmente exposta. Tais impactos podem ser de ordem física ou mental, variando de acordo com o tipo de evento, sua complexidade e magnitude. Ainda, o evento terá um potencial de perigo que também depende de fatores territoriais, como vulnerabilidades socioambientais e características da população.

Este conjunto de critérios são analisados pela equipe técnica do Vigidesastres e classificados como Eventos de Interesse à Saúde (EIS) quando o potencial do desastre trouxer consequências à saúde pública da região afetada, como o agravamento em massa de doenças preexistentes, o surgimento de novos agravos e a sobrecarga no atendimento de equipamentos e serviços da saúde. Cada evento traz suas peculiaridades, tanto do desastre em si quanto do território, o que implica em análises minuciosas caso-a-caso.

As fontes de informação relacionadas a estes eventos vêm de fluxos pré-estabelecidos, envolvendo outros órgãos públicos e plataformas de busca de rumores. Boletins meteorológicos do Centro de Gerenciamento de Emergências Climáticas da Prefeitura de São Paulo (CGE) e da Coordenadoria Estadual de Proteção e Defesa Civil (CEDEC), por exemplo, são dois documentos técnicos utilizados como embasamento de alertas meteorológicos feitos pelos técnicos do Programa Vigidesastres em períodos de altas temperaturas ou chuvas intensas.

Para a orientação e planejamento de ações pós desastres, sejam eles naturais ou tecnológicos, informações técnicas de outros órgãos também são utilizadas. Relatórios pós-chuvas elaborados pelo CGE, relatos preliminares de ocorrências compartilhados pela CEDEC e fichas de informação elaboradas pela Companhia Ambiental de São Paulo (CETESB) são analisados mediante ciência da equipe do Vigidesastres, que organizará as medidas cabíveis no âmbito da saúde. Paralelamente, as redes sociais oficiais do Corpo de Bombeiros e notícias de jornais eletrônicos e televisionados auxiliam na busca ativa por EIS.

Na ocorrência de um EIS, as equipes das Unidades de Vigilância em Saúde (UVIS) realizam uma avaliação in loco das áreas afetadas para averiguar a condição de saúde da população exposta. Nota-se que tal avaliação só é realizada quando a área é considerada segura, ou seja, o risco de ocorrência de um novo evento é mínimo. Em um evento de incêndio, por exemplo, espera-se que o Corpo de Bombeiros (COBOM) já tenha liberado a área e equipes da Coordenadoria Municipal de Proteção e Defesa Civil (COMDEC) já tenham realizado uma análise na área.

Durante a vistoria, imóveis afetados são inspecionados para o levantamento das necessidades de saúde e para a oferta de orientações sobre cuidados pós‑desastre, como a limpeza do ambiente atingido e cuidados preliminares com a saúde. Ainda, são avaliados os serviços públicos atingidos, com atenção especial ao funcionamento dos equipamentos de saúde e demais estabelecimentos (como os escolares) e se houve necessidade de abertura de abrigos temporários.

Em prol de aumentar a resiliência territorial e institucional, a equipe técnica do Vigidesastres participa de eventos públicos com a presença de comunidades vulneráveis a desastres, de grupos técnicos para debate e ações frente a desastres e de exercícios simulados de mesa e em campo. Com este treinamento contínuo e atualização de conceitos, a equipe está sempre apta a realizar a capacitação dos demais profissionais de saúde e a elaborar protocolos, planos e materiais orientativos sobre riscos, doenças e agravos em saúde humana relacionados aos eventos extremos.

Desastres mais frequentes no Município de São Paulo

Naturais Hidrológicos: Alagamentos, Inundações e Enxurradas

Os desastres naturais de cunho hidrológico correspondem à esmagadora maioria dos eventos de interesse à saúde que demandam ações do Programa Vigidesastres. Inundações, enxurradas e alagamentos são derivados de eventos de chuvas intensas que, por conta da grande impermeabilização do ambiente urbano paulistano, introduzem volumes de água pluvial incapaz de serem absorvidos pelo ambiente natural (solo e corpos d’água).

A principal métrica de atuação mediante eventos de chuvas intensas e suas consequências é o Plano de Prevenção às Chuvas, regido pela Secretaria Executiva de Mudanças Climáticas (SECLIMA) e de vigência contínua entre ciclos anuais. Legislado pela Portaria Prefeito n° 1.759, de 1° de Outubro de 2025, o Grupo de Trabalho do Plano é renovado anualmente e é composto por 16 órgãos públicos diferentes, como a Secretaria da Saúde.

No âmbito da Saúde, a Divisão de Vigilância em Saúde Ambiental, por meio do Programa Vigidesastres, coordena o comitê da pasta. Assim como os participantes do Grupo de Trabalho do plano são renovados anualmente, uma Portaria SMS é publicada a cada reinício de ciclo para tornar públicos os responsáveis de cada Divisão da Coordenadoria de Vigilância em Saúde.

Mediante ocorrência de eventos hidrológicos, as equipes das UVIS são acionadas pelos técnicos do Vigidesastres para realizar uma vistoria in loco do local. Caso sistemas de abastecimento de água sejam comprometidos mediante ocorrência deste evento, o Programa de Vigilância em Saúde Ambiental Relacionado à Qualidade da Água para Consumo Humano  do Município de São Paulo (Vigiagua) é notificado e acionado. Para plena orientação da população atingida, o Programa disponibiliza alguns materiais educativos de elaboração própria a respeito de informações pertinentes. Tais materiais estão disponíveis abaixo, mediante clique nos links:

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Naturais Geológicos: Movimentos de massa - Deslizamentos.

Em São Paulo, os movimentos de massa costumam estar ligados ao solo úmido após grandes precipitações pluviométricas. Desta forma, as ações realizadas para desastres naturais geológicos estão englobadas pelas realizadas mediante naturais hidrológicos.

Para conhecer mais sobre deslizamentos e recomendações gerais mediante a ocorrência destes eventos, recomenda-se o material educativo da Defesa Civil Nacional.

 


Naturais Meteorológicos: Tempestades e Temperaturas Extremas.

Tempestades / Chuvas Intensas / Vendavais

As tempestades apresentam impactos instantâneos, como uma piora nas condições de visibilidade e possível queda de árvores por ações do volume precipitado, e impactos cumulativos, como a criação de pontos de alagamento, inundações e enxurradas (desastres hidrológicos). Ainda, como manifestação de frequência ascendente nos últimos anos, rajadas de vento acima dos 50km/h têm sido registradas na capital, culminando em transtornos de infraestrutura que afetam sistemas de distribuição de energia elétrica, a malha de transportes do município e a estabilidade estrutural de construções.

Para auxiliar nos trabalhos de preparação antes de uma tempestade, o Programa Vigidesastres divulga alertas e boletins climatológicos do Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE) da Prefeitura de São Paulo à rede de saúde municipal. Tanto as rajadas de vento acima de 50km/h quanto os volumes expressivos de precipitação são suficientes para a ativação do fluxo de alerta à rede.

Para orientações durante as chuvas intensas, recomenda-se o material educativo da Defesa Civil Nacional. Para acompanhar as previsões climáticas resumidas do Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE), basta acessar o site.

 

Altas temperaturas e Ondas de Calor

Assim como a aproximação de tempestades ou chuvas intensas, a ocorrência de ondas de calor e períodos de altas temperaturas são identificadas com alguns dias de antecedência. De maneira similar, boletins climatológicos são divulgados na forma de alertas sempre que o Programa Vigidesastres tem ciência da aproximação de ondas de calor e altas temperaturas.

Durante o período de altas temperaturas, a maior perda de líquidos e sais minerais pelo corpo humano e a chance aumentada de insolação demandam cuidados extras à saúde. Sempre que as temperaturas atingem os 32°C, a Secretaria Municipal da Saúde participa da ativação das tendas da Operação Altas Temperaturas (OAT); para mais informações sobre a OAT, acesse o site.

Os materiais educativos elaborados pela COVISA em relação aos cuidados a serem tomados em ondas de calor e informações divulgadas durante a OAT podem ser acessados abaixo:

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Baixas temperaturas e Ondas de frio

No outro extremo, a ocorrência de ondas de frio e períodos de baixas temperaturas também são identificadas com alguns dias de antecedência. De maneira similar, boletins climatológicos são divulgados na forma de alertas sempre que o Programa Vigidesastres tem ciência da aproximação de ondas de frio e baixas temperaturas.

Durante o período de baixas temperaturas, a taxa de perda de calor corporal é muito maior do que a de sua produção. Em dias que a temperatura mínima ou a sensação térmica é de 13°C ou menos, a Secretaria Municipal da Saúde participa da articulação da Operação Baixas Temperaturas (OBT); para mais informações sobre a OBT, acesse o site.

Os materiais educativos elaborados pela COVISA em relação aos cuidados a serem tomados em ondas de frio e informações divulgadas durante a OBT podem ser acessados abaixo:


Naturais Meteorológicos: Estiagem e Seca

Desastres meteorológicos trazem um fator de risco adicional em relação aos desastres anteriores: seu período de vigência. Eventos de estiagem e, em maior magnitude, seca, tem como sua principal consequência a permanência de condições de Baixa Umidade do Ar; a DVISAM participa ativamente do Plano de Contingência para Situações de Baixa Umidade com o Programa de Vigilância em Saúde Ambiental Relacionado a Populações Expostas à Poluição do Ar do Município de São Paulo (Vigiar), mais informações podem ser encontradas acessando as respectivas páginas. Em casos de secas muito prolongadas, períodos de escassez hídrica também podem ser esperados.

Em condições de ar seco, misturadas às condições de poluição atmosférica de São Paulo, problemas respiratórios e cardíacos são potencializados. As recomendações propostas em períodos secos podem ser encontradas no material educativo “Efeitos do Clima na Saúde – Ar Seco”.

 


Tecnológicos: Incêndios urbanos e Acidentes com Produtos Perigosos

Incêndios Urbanos

Os incêndios urbanos são os principais desastres tecnológicos que se manifestam no território paulistano, seja em edificações comerciais, residências, galpões ou em comunidades em condições de vulnerabilidade social e construtiva. Durante épocas de estiagem/seca, sua ocorrência é ainda mais potencializada devido à baixa umidade do ar.

Mediante a ocorrência de um incêndio urbano classificado como EIS, as UVIS vão a campo averiguar os impactos à saúde decorrentes do ocorrido, com atenção especial a possíveis intoxicados pela fumaça do sinistro e queimados pelas chamas. Danos humanos e a contabilização de imóveis afetados também são levantados pelas equipes.

Para orientações durante a ocorrência do incêndio, recomenda-se o material educativo do Corpo de Bombeiros; para riscos à saúde, o material da COMDEC foi elaborado com auxílio do Programa Vigidesastres e é recomendado.

 

Acidentes com Produtos Perigosos / Emergências Químicas

Os acidentes com Produtos Perigosos no município, que podem evoluir a emergências químicas, são averiguados pela Companhia Ambiental de São Paulo (CETESB). Os eventos de maior magnitude costumam derivar de acidentes em transporte rodoviário que envolvam caminhões transportadores ou incêndios/extravasamentos de produtos armazenados em tanques, que podem resultar na contaminação da água, ar e/ou solo e em exposição humana aos contaminantes. Para mais informações, consultar o portal do Setor de Atendimento a Emergências Químicas da CETESB.

Mediante ocorrência de emergências químicas classificadas como EIS, as equipes das UVIS seguem ao local para averiguar os impactos à saúde da população exposta após a liberação da área afetada. Diretrizes específicas a depender do produto químico em análise são obtidas do Manual de Produtos Perigosos da CETESB. Busca-se saber se trabalhadores, residentes ou transientes tiveram contato com a substância ou eventual meio contaminado e, mediante confirmação, as orientações cabíveis ao caso são repassadas à população.

Caso alguém entre em contato com algum produto químico e tenha suspeita de intoxicação, instrui-se telefonar imediatamente para o Centro de Controle de Intoxicações de São Paulo (CCI-SP) pelos números 0800 771 3733 ou (11) 5012 – 5311. O setor apresenta plantões 24h todos os dias e se encontra disponível para repassar medidas de prevenção, orientar primeiros-socorros e dar assistência a profissionais de saúde com apoio no diagnóstico e tratamento.

 

Informações para profissionais

Documentos normativos do Vigidesastres:

Informes técnicos orientativos com procedências em casos de desastres:

Planos de Contingência para Emergências em Saúde Pública do Ministério da Saúde:

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