Segunda-feira, 2 de Novembro de 2026 | Horário: 11:00
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Câncer bucal: diagnóstico precoce amplia chances de cura e cuidado começa nas UBSs

Rede municipal oferece prevenção, avaliação de lesões suspeitas, tratamento especializado e acompanhamento integral
A fotografia mostra um atendimento odontológico em um consultório bem iluminado. No centro, em pé, está uma profissional de saúde (dentista) usando equipamentos de proteção individual (EPIs): avental de proteção amarelado/bege, máscara cirúrgica azul, óculos de grau, touca descartável e luvas azuis. Ela está inclinada sobre a cadeira odontológica, olhando com atenção para o paciente e com as mãos posicionadas para realizar a avaliação clínica. Na cadeira de atendimento verde-água, encontra-se o paciente reclinado, usando óculos de proteção. Ao fundo, observam-se as instalações do consultório, incluindo a luz do refletor odontológico acesa acima, janelas com persianas, ar-condicionado, bancada branca com gavetas e suportes para documentos na parede.

Atendimento odontológico nas UBSs garante a prevenção e a avaliação precoce de lesões suspeitas (Acervo/SMS)

Uma ferida na boca que não cicatriza há mais de 15 dias, uma mancha persistente na língua ou um caroço podem ser sinais de câncer bucal. Como a doença pode ser silenciosa nos estágios iniciais, identificar alterações precocemente e manter o acompanhamento odontológico regular são medidas fundamentais para ampliar as chances de cura.


Dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca) apontam que o câncer de boca está entre os mais incidentes no país, ocupando a quinta posição entre os homens, atrás dos cânceres de próstata, colorretal, pulmão e estômago. Para 2026, a estimativa é de 4.430 novos casos no Brasil, sendo 3.190 em homens e 1.240 em mulheres. Na capital paulista, são estimados 1.160 casos, dos quais 670 em homens e 490 em mulheres.


Para ampliar o acesso ao diagnóstico e ao tratamento, a Secretaria Municipal da Saúde (SMS) mantém ações de prevenção e acompanhamento, com monitoramento dos casos realizado pela Assessoria Técnica de Saúde Bucal desde 2020. A orientação é procurar uma Unidade Básica de Saúde (UBS) diante de qualquer alteração persistente, sem esperar o agravamento dos sintomas.

Fatores de risco
“No início, o câncer de boca quase não dói. Por isso não dá para esperar a dor aparecer, nem tratar como afta por conta própria”, alerta o estomatologista Kaio Heide Nóbrega, responsável técnico do Centro de Especialidades Odontológicas (CEO) III Professor Alfredo Reis Viegas, na Bela Vista, região central.


O tumor maligno pode atingir qualquer região da língua, região embaixo da língua, lábios, gengivas, bochechas e céu da boca. Embora possa acometer qualquer pessoa, é mais frequente em homens a partir dos 40 anos. Entre os fatores de risco estão tabagismo, especialmente associado ao consumo de álcool, exposição solar sem proteção nos lábios, infecção pelo papilomavírus humano (HPV) e alimentação pobre em frutas e verduras.


A prevenção inclui não fumar, evitar bebidas alcoólicas, manter uma alimentação equilibrada, proteger os lábios do sol e realizar consultas odontológicas regulares. A vacinação contra o HPV, conforme as recomendações do Programa Nacional de Imunizações (PNI), também ajuda a prevenir cânceres associados ao vírus.

Sinais que merecem atenção
Placas brancas persistentes, manchas vermelhas, lesões nos lábios relacionadas à exposição solar, caroços na boca ou no pescoço e sangramentos sem causa aparente devem ser avaliados. Dificuldades para mastigar, engolir, movimentar a língua ou rouquidão sem sintoma gripal também exigem atenção.

As consultas regulares são importantes inclusive para quem usa dentaduras ou próteses parciais removíveis, pois permitem avaliar os tecidos da boca, verificar a adaptação das próteses e identificar infecções e outras alterações.


Da UBS ao tratamento especializado
Na capital, as UBSs são a porta de entrada para o atendimento odontológico. Quando identifica uma lesão suspeita, o cirurgião-dentista encaminha o paciente a um dos 31 Centros de Especialidades Odontológicas (CEOs), onde é avaliado por um estomatologista, profissional especializado em doenças da boca.


O especialista analisa o histórico de saúde, os hábitos e as condições bucais. Quando indicada, a biópsia pode ser realizada no mesmo dia da avaliação, e o laudo é emitido em até 15 dias. Confirmado o câncer, o paciente é encaminhado pela central de regulação de SMS para atendimento em oncologia de cabeça e pescoço. O tratamento pode incluir cirurgia, radioterapia, quimioterapia ou outras terapias, conforme cada caso.


Quando necessário, antes do tratamento oncológico, o paciente retorna à UBS para adequar as condições bucais e prevenir infecções e outras complicações. O acompanhamento também contempla cuidados com feridas, boca seca, cáries e reabilitação com próteses.


Para Kaio Nóbrega, a integração entre os serviços é um diferencial da assistência municipal. “São Paulo se destaca a nível nacional por ter uma estratégia coordenada no cuidado do paciente de câncer de boca. Eu até me emociono em ver um município com uma estratégia assim. Ainda temos desafios, sem dúvida, sobretudo para alcançar aquela população que não costuma procurar atendimento no início, mas funciona muito bem”, afirma o estomatologista, também especializado em gerontologia.

Prevenção mobiliza a rede
A Semana Nacional de Prevenção do Câncer Bucal, de 1º a 7 de novembro, reforça a importância da conscientização, dos hábitos saudáveis e do diagnóstico precoce. Na capital, o tema também ganhou destaque na Virada Odontológica, realizada de 26 a 29 de outubro. Unidades de saúde das cinco regiões programaram orientações, avaliações odontológicas e identificação de alterações suspeitas. As equipes de saúde bucal também realizam ações individuais e coletivas sobre higiene dos dentes e próteses, alimentação saudável, autoexame e riscos relacionados ao tabaco e ao álcool.

Saúde bucal na rede municipal
Além de 1024 equipes de Saúde Bucal em 450 UBSs e 31 Centros de Especialidades Odontológicas (CEOs), a rede municipal conta com dois Centros de Cuidado Odontológico (CCOs) e 6 Unidades Odontológicas Móveis (UOMs). Entre 2021 e 2025, foram realizados mais de 10,5 milhões de atendimentos odontológicos na rede municipal. Em 2025, foram registradas mais de 2,7 milhões de consultas e 517 mil atendimentos de urgência. A rede também realizou mais de 858 mil procedimentos nos CEOs, 580 mil nos CCOs e a instalação de mais de 116 mil próteses dentárias.

Entre 2022 e setembro de 2026, a SMS registrou 1.258 casos confirmados de câncer bucal e realizou 68.638 atendimentos com estomatologistas. Em 2025, foram 257 diagnósticos e 14.679 atendimentos especializados. Já em 2026, até setembro, foram confirmados 163 casos e realizados 14.057 atendimentos. Segundo assessoria técnica de SMS, a doença é mais frequente entre homens com mais de 60 anos, sendo a língua a região da boca mais acometida.


A principal orientação é não esperar que uma alteração na boca se agrave para procurar atendimento. Ao notar lesões que durem mais de 15 dias na boca, procure pelo cirurgião dentista.  Pode ser o primeiro passo para identificar precocemente uma doença e iniciar o cuidado necessário.

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