Quinta-feira, 3 de Setembro de 2026 | Horário: 16:31
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Amamentação como rede de apoio: rodas de conversa fortalecem confiança de mães

Trabalho voluntário leva apoio ao aleitamento a gestantes e puérperas em situação de rua e vulnerabilidade social

Foto: Jennyfer Reis/SMADS (Imagem editada com Inteligência Artificial)

Jennyfer Reis 

Há um ano, o Centro de Acolhida Especial para Gestantes, Puérperas e Filhos até Seis Anos, operado pela Amparo Maternal em parceria com a Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social (SMADS), promove rodas de conversa sobre aleitamento materno para as mulheres acolhidas na unidade. A iniciativa é conduzida de forma voluntária por Luciana Kiomi, líder credenciada da La Leche League no Brasil, organização internacional sem fins lucrativos que oferece apoio gratuito à amamentação por meio da troca de experiências entre mães. 

O trabalho ganha um significado particular no contexto do serviço, que acolhe as mulheres em situação vulnerabilidade social, como adictas, imigrantes ou em situação de rua. Para dar conta dessa diversidade, os encontros usam materiais visuais e lúdicos, traduzidos para outros idiomas, e funcionam menos como aula e mais como espaço de escuta, onde tirar dúvidas sobre amamentação também se torna, para muitas dessas mães, uma forma de recuperar confiança em si mesmas e no próprio corpo. 

Desde 2021, o serviço já realizou 1,5 mil acolhimentos de gestantes e puérperas em situação de vulnerabilidade. Desse total, mais de 540 foram saídas qualificadas, cerca de 45% dos casos, ou seja, mulheres que deixaram o serviço com encaminhamentos voltados à autonomia, como acesso à moradia, inserção no mercado de trabalho ou reconstrução de vínculos familiares. É nesse processo de reconstrução que o apoio ao aleitamento materno se insere: mais do que uma orientação técnica, uma ferramenta a favor da autoconfiança das mães nesse momento de reorganização de vida. 

Perguntas Frequentes 

Sentir dor durante a amamentação é normal?  

Não. "A dor não é normal. Se está doendo, é porque tem algum ajuste que precisa ser feito. A questão é: vamos agora investigar para ver qual é o ajuste", explica Luciana.  

Muitas mães chegam aos encontros acreditando que a dor faz parte do processo, mas, ao investigar a causa geralmente ligada à pega ou ao posicionamento do bebê, o desconforto costuma ser resolvido. 

Como saber se estou produzindo leite suficiente?  

Luciana destaca, que essa é uma dúvida frequente entre as mães e que existem sinais confiáveis que indiquem que o bebê pode não estar mamando o suficiente nas primeiras semanas: 

  • Menos de 3 fraldas com cocô por dia: A quantidade de cocôs é um bom indicador de que o bebê está recebendo leite suficiente. Após as primeiras 6 semanas, esse sinal deixa de ser tão útil, pois é normal alguns bebês fazerem menos cocô e continuarem crescendo bem. 

  • Menos de 8 mamadas por dia: Em geral, os bebês mamam entre 8 e 12 vezes por dia. Se o bebê mama menos de 8 vezes, é importante acompanhar o peso e observar sinais como muita sonolência, letargia, choro fraco, urina muito amarela e com cheiro forte, boca seca ou pouca força muscular. Nesses casos, procure orientação médica. 

  • Ganho de peso abaixo do esperado: O ganho de peso é a forma mais confiável de saber se o bebê está recebendo leite suficiente. O acompanhamento com o pediatra é fundamental para essa avaliação. 

Quais são os principais benefícios do leite materno para o bebê?  

"Vão muito além da nutrição. O leite materno reduz os riscos de infecções de ouvido e do trato respiratório na infância, e seus efeitos se estendem à vida adulta: crianças amamentadas têm menores chances de desenvolver alergias, asma, obesidade e diabetes. Também contribui para o desenvolvimento neurológico e a saúde digestiva do bebê", destaca Luciana.  

A amamentação realmente ajuda a fortalecer o vínculo entre mãe e filho?  

Sim. O contato pele a pele durante a amamentação libera substâncias no organismo da mãe que ajudam a acalmar e reduzir o estresse. Para Luciana, esse processo também fortalece a autoestima da mãe: "Quando a mãe se dá conta de que o próprio corpo dela consegue fornecer isso, dá uma sensação muito forte de autoafirmação, de segurança, numa situação que já é um momento muito vulnerável em si." 

O bebê pode morder durante a fase de nascimento dos dentes?  

Dificilmente enquanto está mamando. "Enquanto o bebê está mamando e fazendo a sucção, ele não vai conseguir morder, porque o dentinho dele vai estar embaixo da língua no momento da sucção", explica Luciana. "O risco maior ocorre nos momentos em que o bebê já terminou a mamada, mas permanece no peito pelo aconchego por isso, a dica é ficar atenta ao fim da mamada para retirar o bebê antes que isso aconteça", reitera. 

Qual é a recomendação sobre o tempo de amamentação?  

"A Organização Mundial da Saúde recomenda aleitamento materno exclusivo até os seis meses de vida do bebê, sem necessidade de nenhum outro alimento. A partir daí, com a introdução gradual de alimentos sólidos, recomenda-se que a amamentação continue por pelo menos até os dois anos", responde a Líder. 

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